Após a grande manifestação de Deus no capítulo 15, vemos agora Sarai tentando ajudar ao seu marido Abrão a cumprir a promessa de Deus. Estando em idade já avançada Sarai recorre a um costume da época, onde no caso de uma mulher ser estéril ela poderia utilizar-se de uma serva para ter filhos legalmente e assim garantir a descendência de sua família. Assim Sarai entregou a Abrão sua serva Hagar e esta engravidou. O texto nos diz que ao ver-se grávida, Hagar passou a olhar com desprezo para sua senhora Sarai. Percebendo isso Sarai passou a tratar tão mal a Hagar que esta fugiu para o deserto onde ali teve seu primeiro encontro com Deus.
Deus se dirige a Hagar dizendo que ela deveria voltar para a casa de sua senhora, sujeitar-se a ela e que seu filho seria muito abençoado.
O proposito de Deus para o homem é que o casamento seja entre uma mulher e um homem assim como foi na criação, entretanto apesar dos erros Deus ainda pode abençoar seus filhos, como veremos mais adiante essa ação terá consequências que se arrastaram por muitos séculos.
O capítulo 17 ocorre treze anos depois dos relatos anteriores, vemos aqui um silêncio de Deus mostrando sua desaprovação e tristeza com os atos de Abrão. Quando Deus volta a falar com Abrão, Seu discurso é praticamente o mesmo de quando prometera a bênção a Abrão no começo, mostrando que apesar do que aconteceu o plano de Deus estava prestes a começar a se cumprir, Deus muda o nome de Abrão para “Abraão” e de Sarai para “Sara” e promete que em um ano Sara teria um filho, que seria o filho da promessa.
Diante disso, Abraão apela a Deus pedindo que Ismael (filho de Hagar) fosse o seu descendente que receberia as promessas, mas Deus ressalta que quem receberia as bênçãos seria um filho dele com sua esposa.
Em Sua bondade Deus promete que Ismael seria abençoado também, sua descendência seria numerosa e ele seria poderoso.
Ainda no seu discurso, Deus institui uma marca para esse pacto que estava reafirmando com Abraão, no capítulo 15 Deus se compromete a cumprir fielmente toda a sua promessa e agora no capítulo 17 Deus exige de Abraão que esse seja obediente e permaneça integro. Como uma marca desse pacto é instituída a circuncisão, que os lembraria perpetuamente da aliança do Senhor com Abraão.
No capítulo 18, o Senhor e mais dois anjos descem e vai ao encontro de Abraão, este os recebe muito bem utilizando toda a sua hospitalidade. O autor de hebreus ao falar sobre hospitalidade nos deixa o seguinte conselho em hebreus 13:2 “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos”.
O Senhor reafirma sua promessa de dar um filho a Abraão por meio de sua esposa Sara, e esta sem acreditar ri da promessa dos ilustres visitantes. O riso da incredulidade de Sara em Gênesis 18:12 e o riso de Abraão em Gênesis 17:17 dá origem ao nome de Isaque, que significa “ele riu”.
Devemos ressaltar que Deus os abençoou não pela incredulidade, mas apesar da incredulidade e mesmo sem ver possibilidades do nascimento de um filho por causa da idade avançada, ambos confiaram em Deus que cumpriria essa promessa em pouco tempo.
O texto prossegue nos falando a respeito do juízo de Deus sobre as cidades de Sodoma e Gomorra. É interessante notar como Deus revela Seus planos a Abraão, certamente Deus tinha plena consciência do comportamento dos cidadãos daquela cidade, bem como do número de pessoas integras que habitavam ali. Deus sabia do carinho de Abraão pelo seu sobrinho Ló, como vimos que anteriormente Abraão até enfrentou reis para resgatá-lo de volta. E agora num momento de juízo Deus concede a Abraão a oportunidade de interceder pelos habitantes daquela terra.
É interessante notar que Deus deseja que nos acheguemos a Ele em oração. Muitas pessoas perguntam: se Deus sabe de todas as coisas, por que então eu preciso orar? Por que eu preciso orar se Deus vai fazer tudo de acordo com a vontade dEle mesmo? A resposta é simples, Deus deseja que oremos a Ele porque a oração não muda Deus, mas ela nos muda. Ao nos aproximarmos de Deus em oração, estamos em contato com um Deus Santo e assim estamos sendo trabalhados para refletir parte do caráter de Deus.
Não oramos para que Deus mude a sua vontade, mas oramos para que nossa vontade seja a mesma de Deus. Deus deseja que estejamos tão perto dEle, que os nossos pensamentos sejam os pensamentos de Deus e que os nossos pedidos sejam iguais à vontade dEle para nós. Deus sabe o que é o melhor para nós e anseia nos abençoar, devemos confiar nisso.
O capítulo 19 vai nos mostrar o que aconteceu quando os anjos de Deus foram a Sodoma e Gomorra, ao chegarem foram bem recebidos por Ló, que provavelmente havia prosperado bastante na cidade, pois estava sentado na porta da cidade (lugar onde ficavam as pessoas mais importantes). Os habitantes da cidade corrompida exigiram que Ló lhes entregasse os visitantes para que eles pudessem violenta-los, mas Ló os protege chegando a oferecer as próprias filhas no lugar dos visitantes. Os anjos ferem de cegueira os habitantes da cidade e tiram a força Ló, sua esposa e suas duas filhas dizendo que eles não deveriam olhar para trás.
A esposa de Ló olha para trás e se transforma numa coluna de sal, as filhas de Ló depois de escaparem embebedam seu pai, mantém relações com ele e dão início a duas nações ímpias que darão muitos problemas mais tarde.
Diante disso tudo, podemos ver que Deus está atento ao que acontece na terra. Deus não é como alguns pensam: um relojoeiro que deu corda no relógio e deixou o mundo a sua própria conta. Ele foi atrás de Hagar no deserto, instituiu uma marca para que Abraão e seus descendentes lembrassem sempre da promessa de Deus, permitiu que Abraão intercedesse pelos habitantes de Sodoma e Gomorra, viu que Ló poderia ser tirado da cidade e exerceu o juízo quando a maldade daquelas cidades chegou a um ponto extremo. Lembre-se sempre de que Deus está bem perto de você, à distância de uma oração. Você já falou com Ele hoje?
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