Páginas

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Gênesis cap. 4 a 7

Gênesis capitulo 4 se inicia mostrando as consequências do pecado, logo após a queda podemos ver a forma como o pecado vai avançando na história do homem.

Temos inicialmente a história de Caim e Abel, que nasceram de Adão e Eva após a queda. O texto nos diz que ambos apresentaram suas ofertas ao Senhor, entretanto, O SENHOR aceitou com agrado a Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta (Gênesis 4:4-5). Existem duas linhas de pensamento que podem nos ajudar a compreender melhor esse texto.

A primeira faz referência ao tipo de oferta. Como vimos ontem, para que o casal tivesse roupas de pele certamente foi necessário um sacrifício e talvez ali o próprio Deus tivesse instituído os sacrifícios que simbolizariam o sacrifício verdadeiro que pagaria o preço dos pecados e tornaria possível a salvação do homem (Hebreus 9:12). Assim teríamos a diferença entre o que Deus ensinou e deseja receber (oferta de Abel) e o que o homem deseja oferecer a Deus (oferta de Caim), sendo esse o motivo pelo qual uma foi aceita e a outra não.

A segunda possiblidade se baseia na descrição que o texto bíblico faz das ofertas, perceba que ao falar da oferta de Caim o texto diz: Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR (Gênesis 4:3), mas ao falar de Abel o texto diz: Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho (Gênesis 4:4). O texto bíblico dá a entender que Abel ofereceu o seu melhor a Deus, mostrando o quão importante Deus era na sua vida, entretanto Caim traz uma oferta comum, algo rotineiro, que mostra que Caim não dava tanta importância como o seu irmão a Deus.

Em ambas as possibilidades, vemos a importância de reconhecermos a soberania de Deus, seja em relação às instruções dadas por Ele ou no fato de que como Deus, Ele merece e deve estar no primeiro lugar das nossas vidas (Mateus 6:33).

O relato bíblico prossegue mostrando a decadência do homem afastado de Deus. Caim inveja, planeja o mal, mata o seu irmão e ainda mente para Deus. Caim é amaldiçoado pela terra e se torna um fugitivo errante (Gênesis 4:8-12). Caim diz a Deus que seu castigo é muito grande e Deus coloca um sinal em Caim para que esse não seja morto.

Muitas pessoas têm várias ideias a respeito desse sinal em Caim, alguns acham que esse sinal pode ter algo a ver com as raças que temos hoje e algumas pessoas chegaram a tentar justificar atos horrendos com a escravidão utilizando esse texto. A primeira coisa a se dizer é que a bíblia não fala qual sinal é esse, mas como veremos adiante a descendência de Caim foi eliminada da terra no dilúvio, ou seja, não podemos falar que esse sinal tenha algo a ver com as diferenças raciais que temos hoje. Outro ponto a ser notado, é que o sinal não era um sinal de condenação, mas um sinal da graça de Deus para proteger Caim, o que torna infundado qualquer argumento de descriminação.

O capítulo 4 de Gênesis encerra com a genealogia de Caim. Muitas pessoas perguntam da necessidade dessas genealogias na bíblia, alegam que essas grandes listas de nomes pouco contribuem para o nosso crescimento espiritual e muitas vezes até pulam para trechos mais interessantes da bíblia. A primeira coisa a se dizer é que a bíblia é um livro que tem fundamento histórico. O que o autor está querendo dizer quando coloca uma genealogia é que nos podemos confiar no relato, pois o que está escrito realmente aconteceu, pessoas estiveram envolvidas e Deus trabalhou com elas. Podemos perceber também que Deus se importa conosco individualmente, Deus nos conhece pelo nome, Deus sabem quem nos somos, sabe das nossas necessidades, Deus não nos trata como um grupo de pessoas, mas trabalha individualmente com cada um de nós. Gostaria de destacar também que as genealogias funcionam como “álbuns de fotos” onde ao olhar para cada nome podemos ver como Deus tem trabalhado na vida de cada indivíduo e recordar as histórias em que esses estiveram envolvidos.

A genealogia apresentada no final do capítulo 4 (genealogia de Caim) terá o seu paralelo com a genealogia do começo do capítulo 5 (genealogia de Sete). Ambas as genealogias possuem dez nomes, sendo esses nomes semelhantes e com correspondentes em cada genealogia (Caim – Cainã, Enoque – Enoque, Irade – Jarede, Meujael – Malaleel, Matusael – Matusalém, Lameque - Lameque).

A genealogia de Caim apresenta o inicio do progresso humano em relação ao inicio da pecuária, das artes e do trabalho metalúrgico, essa genealogia é caracterizada pela tentativa de independência de Deus, onde o ser humano tenta por sua própria capacidade ser autossuficiente.

A genealogia de Sete vai apresentar um padrão:

Aos tantos anos, o individuo gerou um filho e depois que gerou esse filho viveu tantos anos e morreu.

Aqui vemos a morte apresentada como realidade presente na vida do homem, uma consequência direta do pecado (Romanos 6:23).

No caso de Enoque a expressão viveu é substituída por andou com Deus para mostrar que existe diferença entre andar com Deus e simplesmente viver. A expressão morreu é substituída por e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado. Podemos ainda ver também os paralelos, enquanto Lameque (o sétimo depois de Adão pela linhagem de Caim) tenta receber a bênção inicial de Deus por seus próprios esforços e desafiando a vontade de Deus. Enoque (o sétimo depois de Adão pela linhagem de Sete) “recebeu testemunho de que agradara a Deus”.

A genealogia de Sete termina mostrando que apesar do avanço do pecado, apesar da terra amaldiçoada, ainda existe esperança. Gênesis 5:29 diz: Deu-lhe o nome de Noé e disse: “Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o SENHOR amaldiçoou.”

Genesis capítulo 6 inicia falando novamente sobre o avanço do pecado e da maldade, diz o texto que os “filhos de Deus” se casaram com as “filhas dos homens”, uma provável referência de uma união entre os descendentes de Sete e de Caim. Algumas pessoas sugerem que esses “filhos de Deus” seriam anjos, mas pelo que Jesus diz em Marcos 12:25 podemos descartar essa possibilidade de interpretação.

A maldade no coração do homem avança de tal forma que Deus “arrepende-se de ter feito o homem sobre a face da terra” (Gênesis 6:6). Deus não se arrepende como se arrepende o homem, como se tivesse feito algo errado que não soubesse (1 Samuel 15:29). O arrependimento de Deus aqui é tristeza pelo pecado do homem (Efésios 4:30).

Mas em meio a tudo isso Noé encontra graça aos olhos do SENHOR (Gênesis 6:8). Diz o texto que Noé era homem justo, integro e andava com Deus.

O relato da história de Noé e do dilúvio deve ser, assim como os capítulos anteriores de Gênesis, tomado literalmente. O próprio Jesus ao falar sobre o comportamento humano um pouco antes da sua volta cita e compara esse momento ao momento do dilúvio (Mateus 24:37-39).

Amanhã falaremos mais a respeito do relato do dilúvio, enquanto isso se lembre de que o Deus apresentado na bíblia é soberano e sendo Deus Ele merece total prioridade na nossa vida. Nesse dia pense se você, assim como Caim, tem colocado Deus em segundo, terceiro ou quarto lugar da sua vida. Será que você tem tentado viver uma vida de independência de Deus? Pense nisso.

Tenha um dia abençoado na presença de Jesus!

Nenhum comentário: